Museu Ludwig: Em busca de um público mais amplo em Colônia

Installation view da Coleção de Arte Contemporânea, Museu Ludwig, Colônia 2018 © dos artistas Foto: Rheinisches Bildarchiv Köln, Rico Burgmann; obras de arte (da esq. p. a dir.): Kerry James Marshall, Vignette #15, 2014 / Zoe Leonard, Tree, 1997/2011 / Cady Noland, Log Cabin Roof, 1990 / Cady Noland, Truck Rack Blank, 1991 / Cady Noland, Chainsaw Cut Cowboy with Baked Beans, 1990 /Seth Price , Digital Video Effect: "Editions", 2006 / Alexandra Bircken, Fury, 2014 / Alexandra Bircken, Dominik, 2017.
Particularmente por todos os Estados Unidos, museus começaram a reavaliar suas coleções com base em questões de gênero e raça.
Contemporary And: Você poderia nos relatar um típico processo de compra do Museu Ludwig? Como se dá normalmente?
Yilmaz Dziewior: Quando compramos uma obra, consideramos o que já temos na coleção e o que está faltando. Quero que nosso público saiba que todo museu conta histórias. É importante que o público entenda que essa é nossa perspectiva, incluindo ex-diretores e curadores. E que é, sem dúvida, uma história e perspectiva muito limitada. Não queremos afirmar que seja A história.
![Installation view Collection Contemporary Art, Museum Ludwig, Cologne 2018. © of the artist. Photo: Rheinisches Bildarchiv Köln, Rico Burgmann; art works (f.l.t.r.): Lubaina Himid, Le Rodeur: The Cabin [Le Rodeur: Die Kajüte], 2017 / Lubaina Himid, Spread the Word [Verbreite die Nachricht], 2016 / Lubaina Himid, Negative Positives: The Guardian Archive [Negative Positive: Das Guardian Archiv], 2007–2015 / Lubaina Himid, The Source of the Tears Is long Run Dry [Die Quelle der Tränen ist lange versiegt], 2016](https://cdn.sanity.io/images/t4cb1ejj/production/41e617561227276956c005d694b6825beea5d88d-1300x867.jpg?q=90&auto=format&dpr=2&fit=max&w=3840)
Installation view Collection Contemporary Art, Museum Ludwig, Cologne 2018. © of the artist. Photo: Rheinisches Bildarchiv Köln, Rico Burgmann; art works (f.l.t.r.): Lubaina Himid, Le Rodeur: The Cabin [Le Rodeur: Die Kajüte], 2017 / Lubaina Himid, Spread the Word [Verbreite die Nachricht], 2016 / Lubaina Himid, Negative Positives: The Guardian Archive [Negative Positive: Das Guardian Archiv], 2007–2015 / Lubaina Himid, The Source of the Tears Is long Run Dry [Die Quelle der Tränen ist lange versiegt], 2016
C&: Quais são os demais passos pragmáticos que a instituição está tomando para começar a expandir sua coleção?
YD: Recentemente publicamos um catálogo raisonné de nossa coleção com aproximadamente 3.500 obras e tentamos incluir a maior quantidade de artistas e mídias possíveis: pintura, instalação, escultura e vídeo. Selecionamos 100 artistas e encomendamos um texto de cada um deles. Achei de extrema importância que George Adéagbo e Ken Okiishi tenham escrito um texto, por exemplo, levando sempre em consideração a origem e o gênero dos artistas.
C&: Enquanto o Museu Ludwig é conhecido pelas coleções de arte norte-americana e de Picasso, quanto de fato o museu se relaciona com arte e visitantes locais?
YD: Acho que nosso trabalho deveria ser específico sobre a região na qual nos encontramos. A região do Reno já foi uma das regiões mais importantes para arte contemporânea. Temos uma boa quantidade de trabalhos de Gerhard Richter, Rosemarie Trockel, Georg Herold ou Martin Kippenberger.
Depois de Berlim, somos a cidade alemã com a maior população turca. Por isso, e de forma consciente, compramos trabalhos de Ayşe Erkmen. Há três anos adquirimos também uma instalação feita de sete trabalhos em papel por Nil Yalter, atualmente em exibição em sua exposição individual. Esperamos que um público que não tinha motivo algum para visitar o museu agora se sinta representado. Refletimos ativamente sobre o que significa ser um museu alemão, por um lado, e também um museu local em Colônia.
![Installation view Collection Contemporary Art, Museum Ludwig, Cologne 2018 © of the artist Photo: Rheinisches Bildarchiv Köln, Rico Burgmann; art work: Jimmy Durham, Building a Nation [Aufbau einer Nation], 2006 (Detail)](https://cdn.sanity.io/images/t4cb1ejj/production/1bec2f3f91aded26d8d13b5d4a66dedb94dcf489-1300x867.jpg?q=90&auto=format&dpr=2&fit=max&w=3840)
Installation view Collection Contemporary Art, Museum Ludwig, Cologne 2018 © of the artist Photo: Rheinisches Bildarchiv Köln, Rico Burgmann; art work: Jimmy Durham, Building a Nation [Aufbau einer Nation], 2006 (Detail)
C&: Quais são as possíveis estratégias de engajamento com a coleção de formas produtivas?
YD: Para nosso aniversário de 40 anos convidamos Pratchaya Phinthong da Tailândia. Passamos dois dias mostrando a ele o museu, nossa coleção e apresentando a ele nossa história. Pouco antes de ele ir embora, ele nos perguntou sobre os incidentes que ocorreram no réveillon de 2015. Essa questão na realidade se tornou seu projeto. Organizamos eventos e discussões com refugiados em suas casas temporárias, o que, considerando todas as dinâmicas de poder envolvidas, foi muito difícil. Para Pratchaya esses encontros se tornaram a parte mais importante do trabalho. Por meio de conversas ele quis entender o que tinha acontecido ali.
C&: Você também criou recentemente uma vaga de pesquisa ligada à coleção, destacando narrativas ausentes. Você poderia nos contar um pouco mais a esse respeito?
YD: Com a Terra Foundation for the Arts organizamos uma vaga no museu que nos ajuda a reavaliar a arte norte-americana em nossa coleção até os anos 1980. Nossa pesquisadora Janice Mitchell dá uma olhada nos trabalhos por uma perspectiva pós-colonial, queer e feminista, o que quer dizer identificar várias lacunas. Se você olhar para o Pollock, por exemplo, é interessante olhar para suas influências e como contextualizar seu trabalho para além do fato de ele ser o heroico cara de Clement Greenberg.
C&: Qual a visão de futuro do Museu Ludwig?
YD: Quero que o Museu Ludwig seja um museu local e que, ao mesmo tempo, se situe em um contexto global para um público diverso. Até agora, nosso público tem sido uma classe média branca. Mas quero um público mais amplo e que sejamos relevantes para eles. Nós debatemos sobre problemas sociais, políticas e questões do dia a dia que não preocupam só a uma camada social.
Yilmaz Dziewior é diretor do Museu Ludwig, em Colônia, desde fevereiro de 2015. Nascido em 1964 em Bonn, ele estudou História da Arte e Arqueologia Clássica em Bonn e Londres.
Magnus Elias Rosengarten é um escritor e artista que vive atualmente em Los Angeles.
Traduzido do inglês por Raphael Daibert.
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