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Sofía Salazar Rosales: uma jornada poética pelo material

Sofía Salazar Rosales: A Poetic Journey Through the Material

Sofía Salazar Rosales, Cauliflory will bloom soon (detalhe), 2022, Vista da instalação de Mantengo la urgencia de reconciliar, Juniin, 2022, Cacau, resina de poliéster, fibra de vidro e embalagem de esponja, 43 x 280 x 70 cm. Foto: Libbi Ponce. Cortesia de Juniin, Guayaquil e Sofía Salazar Rosales, Paris.

21 Agosto 2024

Revista América Latina

Palavras Noushin Afzali

4 min de leitura

Influenciada por sua herança equatoriana e cubana e moldada por sua formação em Paris e Lyon e residência em Amsterdam, Salazar Rosales mescla poesia visual à sensibilidade da dança. Seu método combina planejamento conceitual com espontaneidade material, reunindo objetos em uma coreografia congelada.

Quando entrei na galeria ChertLüdde, em Berlim, Alemanha, para visitar a mais recente exposição de Sofía Salazar Rosales, The Desire to Dance with Someone Who is Not Here (O desejo de dançar com alguém que não está aqui), senti imediatamente expectativa e introspecção. Essa exposição é mais que uma coleção de obras de arte; é uma narrativa profunda que entrelaça poesia, dança e escultura, refletindo sobre temas pessoais e coletivos.

A jornada de Sofía começou no Equador, onde as ricas tradições culturais de sua terra natal influenciaram sua visão artística. “Crescendo no Equador, com uma mãe equatoriana e um pai cubano, eu estava cercada de narrativas culturais que moldaram profundamente a minha arte”, lembra Sofía. Sua educação formal em Paris e Lyon e a residência no De Ateliers, em Amsterdam, lapidaram sua voz distinta. “Cada fase da minha jornada foi crucial para formar minha abordagem artística”, ela observa. Sua obra é uma sinfonia de experiências visuais mesclada a elementos poéticos e de dança. “A poesia se mistura perfeitamente com os elementos visuais, criando uma experiência holística”, ela explica. A dança é também uma experiência profunda, entrelaçando-se com conceitos de ausência e presença e destacando a relação dinâmica entre o movimento e a quietude em suas esculturas.

Sofía Salazar Rosales, Hay cuerpos cansados por el viaje que buscan enraizarse (There are bodies tired from the journey seeking to root), installation view at BUNGALOW/ChertLüdde, 2022. Photo: Andrea Rossetti. Courtesy of ChertLüdde, Berlin and Sofía Salazar Rosales, Paris

Sofía Salazar Rosales, Hay cuerpos cansados por el viaje que buscan enraizarse (There are bodies tired from the journey seeking to root), installation view at BUNGALOW/ChertLüdde, 2022. Photo: Andrea Rossetti. Courtesy of ChertLüdde, Berlin and Sofía Salazar Rosales, Paris

Um tema contundente nas obras recentes de Sofía é o desejo de dançar com alguém que não está fisicamente presente, em uma exploração da ausência e do desejo. “Esse tema surgiu de um lugar extremamente pessoal, refletindo minhas próprias experiências”, revela. Sofía. Sua obra combina muitas vezes objetos, materiais e suas histórias em diferentes contextos. Em uma carta aberta a suas esculturas, Sofía pondera: “Eu lhe confio meu passado para que você possa transformar experiências em alegre nostalgia, para que o lugar onde vivi e o lugar onde vivo possam finalmente se reconciliar.”

A exposição na galeria ChertLüdde apresenta instalações visualmente impressionantes e emocionalmente evocativas. While the Wounds Are Open (Enquanto as feridas estão abertas, 2024), combina vários materiais criando uma instalação assombrosamente bela. “Essa obra é sobre a vulnerabilidade e o processo de cura”, explica ela. A obra exibe uma estrutura complexa com camadas de materiais translúcidos e opacos, criando profundidade e textura, e enfatizando temas de cura e reparação. A obra ainda invoca Oxum, orixá da religião Iorubá associada ao amor e à fertilidade. A presença de Oxum acrescenta significado cultural e espiritual, entretecendo histórias pessoais e coletivas. Full of Sweetness (y el mappeo del destierro) (Cheio de doçura (e o mapa do desterro), 2024) explora temas de deslocamento e pertencimento. “Essa obra reflete minhas próprias experiências de deslocamento”, compartilha. A utilização da parafina e de fita cirúrgica acresce uma qualidade tátil, evidenciando as cicatrizes físicas e emocionais do deslocamento.

Sofía Salazar Rosales, While the wounds are open (detail), 2024, The desire to dance with someone who is not here, installation view at ChertLüdde, 2024, Glass beads, gauze, padding, paraffin, plaster, iron filings, cardboard, chicken wire, metal, fiberglass, polyester resin and epoxy, 207 x 90 x 282 cm. Photo: Marjorie Brunet Plaza. Courtesy of ChertLüdde, Berlin and Sofía Salazar Rosales, Paris

Sofía Salazar Rosales, While the wounds are open (detail), 2024, The desire to dance with someone who is not here, installation view at ChertLüdde, 2024, Glass beads, gauze, padding, paraffin, plaster, iron filings, cardboard, chicken wire, metal, fiberglass, polyester resin and epoxy, 207 x 90 x 282 cm. Photo: Marjorie Brunet Plaza. Courtesy of ChertLüdde, Berlin and Sofía Salazar Rosales, Paris

A escolha de seus materiais é deliberada e simbólica, refletindo os temas que Sofía explora. Em Zafra (Safra, 2021), ela utiliza açúcar de cana bruto, fibra de vidro, cola de madeira, gelcoat e resina para falar das conotações históricas e culturais desses materiais. O título “Safra” faz referência à colheita da cana-de-açúcar ao fim do verão. Os painéis dispostos em um canto lembram os telhados de zinco corrugado comuns na arquitetura latinoamericana, com texturas que evocam a aspereza e a resiliência desses materiais. Sua abordagem metodológica equilibra o planejamento e a espontaneidade. “Frequentemente começo com uma estrutura conceitual, mas deixo os materiais e o processo determinarem o resultado”, explica. Isso se converte em obras estruturadas, porém fluidas, que refletem as complexidades da experiência humana.

Sofía Salazar Rosales, Zafra, 2021, Raw cane sugar, fiberglass, wood glue, gelcoat, and resin, Variable dimensions. Courtesy of ChertLüdde, Berlin and Sofía Salazar Rosales, Paris.

Sofía Salazar Rosales, Zafra, 2021, Raw cane sugar, fiberglass, wood glue, gelcoat, and resin, Variable dimensions. Courtesy of ChertLüdde, Berlin and Sofía Salazar Rosales, Paris.

Seu trabalho é muitas vezes desenvolvido a partir da frase: “Hay cuerpos cansados por el viaje que buscan enraizarse" (Há corpos cansados da viagem que buscam enraizar-se). Isso resume sua exploração do deslocamento e o desejo por pertencimento e por raízes, refletindo narrativas culturais e históricas mais amplas. A atenção de Sofía aos detalhes, o envolvimento com os materiais e sua capacidade de transmitir experiências emocionais contribui para sua voz artística. “A arte é sobre criar conexões, misturando passado e presente, criando algo novo e significativo”, ela pondera. Refletindo sobre sua jornada, Sofía reconhece as influências e experiências que moldaram sua obra. “Todo lugar em que vivi, toda pessoa que conheci deixou uma marca em minha arte”, afirma. Sua arte é um testamento dessa viagem contínua, uma tapeçaria de experiências tecida com cuidado e intenção.

Sofía Salazar Rosales, The Desire to Dance with Someone Who is Not Here (O desejo de dançar com alguém que não está aqui) esteve em cartaz no ChertLüdde, em Berlim, Alemanha, de 26 de abril a 24 de agosto de 2024.


Noushin Afzali é uma jornalista, editora e tradutora iraniana radicada em Berlim. Sua pesquisa se concentra na arte e cultura e contemporâneas, estudos feministas e pós-coloniais. Ela é pós-graduada em Estudos Culturais e Literaturas Inglesas.

Tradução: Renata Ribeiro da Silva

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