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Estátua de Robert Milligan, West India Quay, Londres, Reino Unido, em 9 de junho de 2020.

8 Junho 2020

Revista América Latina

Palavras C&

18 min de leitura

Convidamos representantes da arte e cultura, bem como pensadores dos EUA, de outras partes da Diáspora Global e da África, para compartilhar seus pensamentos sobre esse momento histórico.

Começando com declarações de produtores culturais estadunidenses, continuaremos postando reflexões neste mural de vozes em crescimento durante as próximas semanas. Todos os colaboradores fizeram, das mais diversas maneiras e formatos, o trabalho de enfrentar o racismo e fortalecer as perspectivas negras nas artes e além.

A ideia aqui é juntar os pensamentos cruciais, pontuais e inspiradores dessas pessoas em um lugar, a fim de criar uma coleção de declarações que ajudem no empoderamento de todas e todos que estão lutando pelo direito de serem vistos e ouvidos como seres humanos com direitos iguais.

Enquanto a situação atual parece ser um momento de mudança em que muitas organizações culturais estão se alinhando em solidariedade à causa, ao mesmo tempo ela está revelando mais que nunca o racismo estrutural e a ignorância que se têm feito presentes e ainda são profundamente arraigados em muitas estruturas institucionais. Instituições culturais se abriram até o momento para programas mais “diversos”, sim. Mas a implementação deles é feita por equipes que ainda são esmagadoramente brancas. É triste que seja necessário um momento de escalada para que este fato extremamente atrasado comece devagar a ser reconhecido publicamente.

“Sempre fomos importantes. Sempre significamos alguma coisa. Sempre fomos bem-sucedidos, de qualquer forma.” – John Boyega
A equipe da C&

Coletivamente devemos sempre lembrar que a fotografia e a imagem podem servir tanto para empoderar quanto para ameaçar; e pode nos ajudar a fazer mudanças nas leis batalharmos para achar palavras para este momento de tanta dor. Me sinto encorajada pelo ativismo de nossos estudantes, que fotografam este momento carregado, e, ao mesmo tempo, fotografam as causas das iniquidades. Peço a todos que usem essa energia incrível para votar; para documentar as injustiças e se sentirem encorajados pelas vozes das pessoas de todo o país contando esta história internacionalmente e mostrando os rostos de Breonna Taylor, Ahmaud Arbery e George Floyd em suas máscaras de rosto, camisetas, cartazes e murais para garantir que esta será a última vez.

(Fragmento de uma mensagem pessoal que Deborah Willis escreveu à comunidade. Ela gentilmente nos cedeu seu texto, que você encontra na íntegra - em inglês –aqui.)
Deborah Willis – artista, professora e presidente do Departamento de Fotografia e Imagem na Tisch School of Arts, na Universidade de Nova York

Os museus que agora postam “black lives matter” (“vidas negras importam”) são os mesmos que participaram na morte social de companheiros negros. As vidas negras importam em suas equipes curatoriais ou conselhos? Elas importam em suas coleções e exposições?
Antwaun Sargant – escritor, curador e crítico

A galeria foi fundada para promover e empoderar jovens artistas negros. Essa continua sendo nossa missão principal. Durante todo o mandato da galeria, e depois de oito anos de trabalho, a oportunidade de trabalhar com meus contemporâneos de ascendência africana foi e continua sendo minha maior honra, mesmo considerando exclusões e preconceito que vivi em nome da galeria e pessoalmente.
As pessoas e as organizações que só estão se manifestando e demonstrando apoio agora negam a dificuldade, a dedicação e a relevância da arte negra. Antes e agora.
Nossa missão sempre foi servir aos nossos artistas e apoiar instituições e organizações dedicadas à sua inclusão.

Acredito que as questões relacionadas à situação atual deveriam ser reorientadas:
- Em relação a instituições que não apenas negaram os artistas negros, mas que não diversificaram seus funcionários.
- A meus colegas que negaram acesso a colecionadores negros.
- Àqueles que acham que arte negra é uma tendência.
- A publicações que não contrataram colaboradores negros, nem publicaram sobre artistas negros.
- À complacência de instituições ocidentais que continuam a exibir objetos e trabalhos artísticos saqueados não só da África como do resto do mundo.
- Às feiras de arte que capitalizaram a presença de artistas negros e ainda minimizam a presença de negociantes e colecionadores negros.

Essas são algumas questões, listar todas as preocupações é fastidioso.
É impossível olhar para nossa história compartilhada sem (re)contar as vozes negras, que são hoje definidas como minoria, mas logo se tornarão a causa principal.
Estamos do lado dos manifestantes e continuaremos a refletir durante estes tempos tão desafiadores. Não pode haver prosperidade para ninguém sem que haja justiça.
Mariane Ibrahim – galerista

Neste momento não sei mais o que dizer além de: cuide de si e daqueles ao seu redor. Se você reivindica amar alguém, você também deve respeitar essa pessoa. Sou mais que grata pela minha saúde e pela mentalidade que tenho. Quero processar, registrar e ouvir. Minha ação é doar e encorajar as pessoas a fazer o mesmo no momento.
Sem a dor as pessoas não saberiam o que era a alegria, e ainda que não a possamos ver no horizonte ela está lá e é linda.
Todo mundo deveria colocar em ação a melhor versão de si, não importa quão difícil seja. Não é fácil ser corajoso, mas é o que é necessário agora.
Não acho que seja hora de eu falar quando todo mundo está tentando aparecer.
Ninguém está realmente se ouvindo no momento.
É tão tolo dizer: "Tome cuidado!"
Mas eu direi: ouça sua intuição.
Se algo não lhe parece correto, vá para casa.
Se você acha que um grupo de pessoas está observando você, ligue para alguém. Quem quer que seja.
Ligue para alguém e lhe informe sua localização.
Diamond Stingly – RAGGA NYC

Aqui no ARTS.BLACK estamos furiosos, tristes e com raiva de saber das mortes de Tony McDade, David Actee, Breonna Taylor, Ahmaud Arbery, George Floyd e muitos outros que continuam a ser mortos pelas forças policiais dos EUA e por civis armados. Como nos encontramos em um estado perpétuo de luto, queremos encorajar a qualquer um que esteja lendo isto aqui a aprender a apoiar o desfinanciamento da polícia e das prisões nos Estados Unidos e as pessoas afetadas, desproporcional e violentamente, pelas mesmas instituições. Criamos uma lista de fundos de fiança, fundos de liberdade e redes de ajuda mútua para apoiar neste momento por todos os Estados Unidos. Não é de forma alguma abrangente. Estamos acompanhando, aprendendo e dando visibilidade para fontes como It's Going Down (hyperlink) e The National Bail Fund Network (hyperlink).
Por favor, compartilhe, amplifique e se tiver condições, doe:https://mailchi.mp/2993f3e9c325/freedomfundsTaylor Aldridge & Jessica Lynne – fundadores de ARTS.BLACK

Vi muitas empresas e organizações manifestarem seu apoio e solidariedade à comunidade negra em relação às instâncias mais recentes de brutalidade policial, como o assassinato de George Floyd. Em grande parte por conta dos protestos e dos tumultos e pelo enfoque global da mídia. Se uma árvore cai em uma floresta, ela faz algum barulho? Claro que faz. Quando os protestos acabarem e o enfoque da mídia mudar para o próximo assunto, espero que a solidariedade continue. Há uma batalha 24/7 pela equidade social, econômica e de saúde para pessoas negras, e aqueles de nós que estão nas linhas de frente precisam de ajuda agora, precisavam de ajuda antes e continuarão precisando de ajuda no futuro. Considere dar mais força às suas vozes de apoio e solidariedade e assumir um compromisso de longo prazo que possa realmente fazer alguma diferença. Caso contrário, considero vozes de apoio e solidariedade vazias, gestos egoístas na busca de incrementar a própria imagem.
Shimite Obialo – advogada, fundadora e diretora executiva de Anoko House

Neste momento, muitos agora pedem pela revolução
pedem por espaços públicos e por espetáculos públicos
combatentes homens e homens líderes
definições machistas de liberdade, igualdade e justiça que
recorrem à linguagem de guerra e às citações dos sábios do sexo masculino:
Fanon, Che, Barack.

Desta vez, vamos
marchar
para além da revolução em direção à transformação
aquela dinâmica
que
abrange não só as ruas mas também
quartos
cozinhas
becos
porões
e passagens onde aqueles enxotaram, assediaram, agrediram e
humilharam fora do espaço público
faça vigília.
Dr. Michelle M. Wright – professora Augustus Baldwin Longstreet de Inglês

Estou bem, exausta e esgotada nestes dias. Estou em Nova York, Brooklyn. Ontem foi meu aniversário de 33 anos e acordei com helicópteros militares (ou pássaros do gueto, como algumas pessoas os chamam) pairando sobre meu prédio pelo que pareceram horas. Acabei conseguindo voltar a dormir, mas em seguida sonhei que as pás do rotor do helicóptero estavam perigosamente próximas a meu pescoço, aplicando pressão, e que meu corpo estava sendo exaurido do seu fôlego no estilo do que faria um dementador. Desespero absoluto por toda parte. Muito apocalíptico. Foi intenso; que maneira de começar um aniversário… com um pesadelo que se assemelha tanto à realidade.
Danielle A. Jackson – escritora, curadora

Gostaria de poder dizer aqui algo incrivelmente eloquente, mas tudo o que fico pensando é em quão deprimida estou porque este momento me parece uma repetição. Essas mortes de corpos conhecidos e desconhecidos, causadas ou por assassinatos diretos ou por vírus cuja origem remonta ao ser humano, continuam acontecendo e, mesmo que eu continue oferecendo meu apoio como posso, muitas vezes isso parece insignificante, porque tudo parece tão absurdamente grande.

Estou em uma posição muito privilegiada porque cresci na classe média alta, tive uma ótima educação que exigiu pagamento e tenho um emprego bem remunerado. Tento usar minha plataforma externa para promover artistas não brancos, promover organizações sociais, econômicas, jurísticas e artísticas focadas em artistas não brancos e promover protestos semelhantes relativos a outros corpos não brancos ao redor do mundo. Também estou tentando utilizar meus próprios fundos para apoiar organizações locais que fazem esse tipo de trabalho. Espero que seja suficiente.

Em relação ao que acho que as intituições artísticas devem fazer neste momento, é serem transparentes. É fácil divulgar uma declaração dizendo que você é contra a discriminação e rejeita a retórica racista, mas é muito mais difícil fazer isso através de ações. Acho que os museus deveriam ter imagens de todos os membros do conselho com seus nomes em seus sites. Acho que reuniões de conselho deveriam ser abertas ao público para que as pessoas saibam como as instituições gastam seu dinheiro. Acho que os museus precisam perguntar a todos os indivíduos de sua comunidade o que se espera deles, não apenas a seus membros. Sim, isto os abriria ao controle e à crítica, mas isso faz parte do papel que exercem como “líderes de pensamento”. Você tem de lidar com a crítica às ideias que tem, porque deve servir à maior e mais abrangente parte possível da população.
Kimberli Gant – curadora

Dizer que não tenho palavras seria uma mentira. Tenho minhas próprias palavras e as palavras de Christina Sharpe para me ajudar a entender. E Kamau Beaihwaite para acalmar suavemente minha alma. E as palavras da canção 22nd century de Nina Simone para me lembrar dos tempos em que vivemos. Mas os mundos que estão abafando as palavras de que preciso são as declarações de tantas instituições e organizações que ficaram apavoradas de pronunciar as palavras BLACK LIVES MATTER por medo de que, ao proferi-las, suas próprias vidas e planos tivessem mais importância. Agora utilizam estas palavras para comunicar seu suposto antirracismo. Um homem negro teve de morrer em meio a um mundo trancafiado por uma pandemia global, onde a doença está matando pessoas negras e não brancas de maneira desproporcional, para vocês finalmente verem seres humanos negros (não os primeiros) morrendo pelas mãos da polícia, das autoridades, do Estado! E isto constitui uma parte de uma pandemia global de racismo sistemático que vem se desenrolando há séculos. E é agora que vocês enxergam isso! Bem. Leio suas declarações e as arquivo e quero lhes lembrar que, ao contrário de vocês, não esquecemos convenientemente nossas histórias para apenas comemorar as vitórias que vocês pensam passar uma imagem boa a justa de vocês. Temos memórias longas e profundas. Enraizadas profundamente dentro de cada célula de nossos corpos. Enxergamos vocês e nos recordaremos de suas palavras vazias! Já as ouvimos antes.
Barbara Asante – artista

“Se e quando isso ocorre, a representação negra em museus tem consistido basicamente ou em artefatos pilhados ou obras de arte que refletem o sofrimento dos negros. Acho que artistas negros precisam de mais de nossas instituições do que um palco construído para sustentar o Teatro da Morte Negra. Como artista, gostaria de ver instituições ao redor do mundo desafiando suas próprias infraestruturas existentes ao fornecer uma mediação ativa sobre como podem possibilitar que nós, seus queridos atores, desempenhemos nosso papel ao apoiar a causa de nossas Vidas.”
Miles Greenberg – artista performático

Continuamos em pé
Não podemos respirar neste redemoinho
Com suas botas em nossas gargantas
Mas continuamos a nos levantar
Seus jugos em nossas costas
Mas continuamos em pé
Estivemos em pé desde o alvorecer da civilização
E estaremos em pé do outro lado desta escuridão
Victor Ekpuk – artista

Neste fim de semana, fui lembrada várias vezes das palavras de Frederick Douglass, ‘O poder não concede nada sem demanda’. O poder não é servido em um prato com porções iguais para todos. Se quisermos ver progresso na autodeterminação relativa a como queremos viver política, social, econômica e culturalmente, temos de lutar para atingir essa visão. O local de protesto é também um local de ensino, contestação e de expressão pública. Um coro político. O direito ao protesto é um lembrete de que temos vozes, e quando aprendemos a nos expressar coletivamente, temos poder. A responsabilidade que temos como instituições culturais é de reconhecer que não estamos em uma posição de neutralidade, que também precisamos aprender a renunciar ao controle para sermos relevantes para as pessoas que desejamos servir. Para sermos espaços públicos que possibilitam conversas difíceis, vulnerabilidades e intimidade.
Sepake Angiama – diretora artística, Iniva

Sou constantemente questionada sobre que medidas podem ser tomadas a fim de “aumentar a visibilidade, amplificar as vozes, oferecer oportunidades…” para pessoas negras/não brancas em nosso setor. Esta linha de investigação continua a sugerir que precisamos solicitar e conseguir acesso. A visibilidade é um convite para ocupar um assento à mesa. É uma forma de avanço, mas tendo em conta que também construímos a casa, seria mais apropriado estarmos incluídos entre as pessoas que oferecem a festa. A questão urgente é como integrar estruturalmente a diversidade.

Há um sistema em curso que torna mais difícil que comunidades negras/não brancas acessem posições em nosso setor. Assim como em qualquer outra profissão, ter sucesso no mundo artístico, como artista, curador ou galerista, requer conhecimento e talento, que estão distribuídos igualmente pela população. Também requer uma boa rede de contatos, oportunidades, tempo, confiança e dinheiro – que não estão distribuídos igualmente. Empregos iniciais com baixa remuneração, por exemplo, constituem uma barreira óbvia no início – e só são viáveis para pessoas jovens com um sistema de apoio financeiro existente. A maioria das posições de curadoria requer um doutorado, mas as taxas proibitivas das universidades limitam o acesso à educação superior, que fica restrita a quem tem uma família que pode arcar com os custos. Temos de ter um olhar sistêmico sobre a falta de diversidade no setor artístico e tratar das condições que conduziram a esta situação: desde a moradia, a educação, até o recrutamento. A ótica do aumento de visibilidade e representação na programação é muito limitada.
Eva Langret – diretora artística, Frieze London

Estive lidando com lágrimas enfurecidas há 12 dias agora – não – há 30 anos mais que 100 anos tem havido milhares de joelhos em pescoços e nomes incontáveis nomes de pessoas perdidas – não – levadas_ e _e_ e_ e_e.
Sou NEGRX e cansadx e à procura e quero comemorar aniversários. Comemorar alguma coisa – realmente qualquer coisa e SER Importante. ontem, hoje e sempre.
AGORA_AGORA_AGORA_AGORA
Você ouviu o brado, o grito, a reverberação
Eu sim – me movi e estou me preparando para um sinal.
Senti o movimento calculando. Esse movimento dilatando para – sobre – defender Vidas Negras.
Um movimento de Nós – que conclama a agarrar, deslocar, quebrar a pressão, queimar, mudança farelenta, aerada, ondulada. um fim.
NIC Kay – artista

Continuo retornando à imagem das ondas. De sua força pura, do que trazem à superfície e do que deixam para trás. A Covid-19 foi anunciada por alguns como o grande equalizador. Até que vimos que eram pessoas negras e não brancas que estavam suportando o fardo mais pesado da doença. E pensamos: já não sofremos o suficiente? Mas o ponto foi o sofrimento. A primeira onda do vírus trouxe à tona as consequências de séculos de desigualdade. Revelou-se que o vírus não era um equalizador, era um amplificador.
E então George Floyd.
E um irromper de ondas de raiva justa, em toda parte. Com isso, ondas de praças negras abafando conteúdo significativo, como emblemas lutando por formas de dizer: somos as pessoas boas, estamos do lado certo da história.
Mas esta vez… não é como outras vezes. Esta onda é um cômputo. Se você clama por solidariedade, agora há exigências de que preste as contas. E está acontecendo uma mudança real e radical. Poderíamos ter imaginado isto? O que mais há lá fora, está aqui, que antes era inimaginável? Um currículo decolonizado? Um Estado que não é dominado pela cleptocracia? Comunidades queer que podem finalmente respirar? Reparações? Como instituições e organizações culturais, trabalhamos no reino da imaginação. E quando a próxima onda chegar, como criaremos e sustentaremos as condições para lembrar, desafiar, confrontar tudo o que veio antes. E como transformaremos reflexão em renovação e utilizaremos estas ondas para nos impulsionar para um mundo mais justo, mais equalitário.
Teesa Bahana – diretora do 32° East | Ugandan Arts Trust

Resistência.
A violência racial vem nos assombrando há séculos, atingimos o ponto de saturação!
A situação atual nos EUA, desencadeada pelo assassinato de George Floyd, nos mostra mais uma vez o quão urgente é que ergamos nossas vozes e atuemos em solidariedade mútua. Continuar a nos unir vai fazer com que nossas vozes sejam ouvidas e levadas mais a sério.
Nosso papel como instituições artísticas independentes que se empenham pela luta e pela circulação de nosso conhecimento (não estamos mais falando em reconhecimento), não importa onde nos localizemos, é criar bolsões de resistência que trabalhem e atuem por um melhor reconhecimento de nosso povo.
Este é o momento de ficar em pé e progredir.
Marie Helene Pereira – diretora de programação, RAW Material Company

A necessidade simultânea de luto e desejo de construir pode parecer um trabalho com propósitos cruzados neste momento. Sei que estou lutando; entre trabalho físico, emocional e intelectual, estou me apoiando em muitas pessoas em minha vida para encontrar momentos de alegria. E a Vida Negra é tão cheia de alegria. Isso não pode ser esquecido.
Em textos, venho me voltando a Love as the Practice of Freedom, de bell hooks: “Trabalhando dentro de uma comunidade, seja compartilhando um projeto com outra pessoa ou com um grupo maior, podemos experienciar a alegria no esforço. Essa alegria precisa ser documentada. Pois se só nos concentrarmos na dor, nas dificuldades que com certeza são reais em qualquer processo de transformação, só estaremos exibindo uma imagem parcial”.
Dr. Zoé Whitley – diretora da Galeria Chisenhale

“Não sou africano porque nasci na África, mas porque a África nasceu em mim”
– Kwame Nkrumah
Axé*
Sim, fizemos. Reconstruímos tudo enquanto vocês se recusavam a ter tempo de reparar, e continuamos a executar o trabalho. É exaustivo, porque vocês escolhem dispendiosamente tomar nossas forças por fraquezas. Somos pessoas negras, somos amor e somos um povo espiritual. Pranteamos em negro e vermelho, derramamos lágrimas pelas pessoas chegadas, e, ao celebrar a vida, nos recarregamos, pois continuamos aqui; apenas um dos muitos rituais africanos de eras atrás. Mais uma vez, com Sankofa fresca em sua língua, vocês tentam nos ensinar sobre Arte Negra, sem perguntar a si mesmos se a Arte é Negra. Comme on faict son lict on le treuve (Como fazemos a cama, assim a encontramos).
Dizemos que Vidas Negras Importam porque guardamos nossos recibos. É hora de vocês olharem e aprenderem por si mesmos. Esta lição educativa é sobre amor. Talvez vocês devam começar com algum bom velho Luther Vandross. A escrita é a parede digital; aqui e agora, clara e brilhante como o dia.
Como articulado na biografia e autobiografia de Saidiya Hartman, Lose Your Mother: A Journey Along the Atlantic Slave Route (Perca sua mãe: uma jornada pela rota atlântica de pessoas escravizadas): “O detrito é a interação da Vida e da Morte. Ele encarna tudo que foi tornado invisível, periférico ou dispensável para a escrita da grande história, isto é, da história como uma lenda de grandes homens, impérios e nações. O resíduo é a reminiscência de todas as vidas que estão fora da história e se dissolveram em total amnésia”.
Como isso faz vocês se sentirem?
*Axé: “O poder de fazer as coisas acontecerem, uma chave para a futuridade e autorrealização em termos Yoruba”
(Robert Farris Thompson, Flash of the Spirit)
Ato Ribeiro – artista

Outros depoimentos serão publicados na sequência.

Traduzido do inglês por Raphael Daibert / Renata Ribeiro

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